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Vida de limpa-vidros

por Henrique Antunes Ferreira, em 09.12.15

  

Justamente na esquina das minhas duas ruas (um privilégio que poucos têm) o Marcolino prepara-se para limpar os vidros de um carro, pois por aquela zona há semáforos q.b. Está munido dos instrumentos da arte: mini rodo, escova, garrafa de água (hoje não é necessária pois choveu toda a noite), detergente - do mais baratinho, a crise aperta – um pano de camurça sintética e a imperdível esponja também a fingir de boa, para viaturas, de acordo com a embalagem plástica comprada no Pão de Açúcar.

limpar vidro.jpg

 O sujeito tem uma história para contar e para constar. Aos 29 anos recordava o seu percurso de vida acidentado, desde os tempos em que tinha andado no liceu, depois na faculdade descobrira que estudara para o… desemprego . Como sempre andara no ensino público, perguntara-se  o porquê e o para quê do Estado ter gastado tanta massa com ele. Um contra-senso, uma aberração, uma estupidez. Por mais que desse voltas ao assunto terminava sempre angustiado, desesperado, revoltado.

 

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 Um dia vira na RTP (também do Estado…) o primeiro-ministro de então, um tal Passos Coelho, a mandar os jovens licenciados emigrar, porque em Portugal não tinham trabalho. Porra!, nunca soubera que acontecia nada igual, nenhum país assim procedera, pareceu-lhe que na Roménia isso também ocorrera… Latinices. Mas ele estava em Portugal e não quisera sair do seu país para a estranja levando uma mala carregada de desilusões, o canudo num saco de plástico que então já se pagava.   

 

Dera por si como arrumador de carros (mas sem ser drogado) o que levou os outros dopados a olharem-no de viés e nem o jornal dobrado – que era a sua ferramenta – o livrara de insultos e até de cargas de porrada; ele invadira o território marcado pelos outros arrumadores. Não se safara com a peregrina ideia, deitou o jornal num contentor de lixo – também era de há quatro dias e uma gazeta morria no dia seguinte àquele que viera a público.

 

Avançou para um Maserati com a intenção de limpar o pára-brisas, mas o condutor chamou-lhe sacana de romeno, tirou o braço para fora e deu-lhe uma murraça. Caiu para trás justamente quando passava um porta-contentores da câmara e esborrachou-o como se fosse uma barata. Caiu o sinal verde e o dono do bólide arrancou. Pararam uns quantos condutores, mas já não havia nada a fazer . Chamem o INEM. E um cidadão que o conhecia dali: parece que não era romeno, era moldavo a língua é a mesma. Mas o que realmente acontecia – fora um português.

 

 

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