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Mensagem de Boas Vindas

Este blogue é feito por Amigos para Amigos, porque a Amizade é uma das melhores coisas da vida. Quem vier por bem será bem acolhido. Sejam bem vindos!

O 25 de Abril em Goa

por Henrique Antunes Ferreira, em 28.04.16

 

AR Marcelo.jpg

 


Só através da RTPI consegui seguir, ainda que com quatro horas e meia de diferença, as comemorações do 25 de Abril. A televisão de caris internacional está melhor, mais variada e com mais informação sobre os mais diversos temas. E foi o caso do dia de redenção do regime salazarento, uma época criminosa, ultrajante e devastadora dos melhores Portugueses em todos os domínios da sociedade. Foi com emoção, quase comoção - por que razão esconde-las? - que vi os capitães de Abril na Assembleia da República e ouvi as palavras do Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa, de quem não gostava, mas começo a apreciar. A distância até acentuou a felicidade de termos de volta o 25 de Abril! Que diferença da anterior múmia acéfala que desempenhou  o cargo! E que, ironia da sorte, se sentou ao seu lado acompanhado da inefável dona Maria. Os regulamentos e as disposições parlamentares permitem (e obrigam) esta incrível situação..pessimamente.

 

mario-soares.jpg

 

Expliquei a alguns amigos goeses o que fora afinal o 25 de Abril de 1974, porque muitos deles consideram Mário Soares um traidor ao assinar juntamente com Indira Gandhi o tratado que "entregou" Goa à Índia, aceitando assim a invasão pelas forças indianas que em 18/19/20 de Dezembro de 1961 o tenham feito. Elucidei-os de que o culpado da descolonização um tanto apressada fora Oliveira Salazar que voltado sobre si mesmo, como um autista provinciano recusara outra solução. Vi cenhos franzidos com o aspecto de "que vem fazer aqui este gajo?E diz ele que é mais goês do que os goeses... Vá contar mentiras para o raio que o parta!" Por isso, há que dizê-lo, os resultados não foram muito satisfatórios; os que consideravam Soares um traidor nisso persistiram Os que mudaram as suas opiniões sobre o tema não foram muitos. Porém foram os suficientes para me deixar um tanto satisfeito.

 

O "meu" 25 de Abril de 2016 em Goa ficará para a História - pelo menos a minha...

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Mas as crianças...

por Henrique Antunes Ferreira, em 22.04.16

 

poverty_india.jpg

 

A caminho de Arporá com o seu famoso mercado nocturno passo por um descampado lamacento. Embora faltem as chuvas ou estejam atrasadas, a lama misturada com sabe-se lá o quê resulta dum pequeno e sobrevivente lago. Paro para ver melhor o que se passa e o cheiro nauseabundo informa que é uma latrina colectiva e a céu descoberto. Nisto vejo passar uma criança sujíssima caminhando nesses detritos da humanidade. O mais estranho é que traz uma bandeira da Índia que parece protegê-la de todas as desgraças do Mundo, ou, pelo menos de Goa. E lembro o Augusto Gil e sua "Balada da Neve"...Mas as crianças, Senhor, porque lhes dais tanta dor?!... Porque padecem assim?!.

 

 

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...

por Henrique Antunes Ferreira, em 18.04.16

 

capa 2.jpg

 


Antunes Ferreira
Durante a visita que deverá fazer àÌndia, António Costa, primeiro-ministro de Portugal deslocar-se-á a Goa de onde o seu pai era natural: Orlando Costa foi um escritor de renome e é um orgulho de Goa.
No entanto corre pelo estado, sobretudo na capital Panjim, que os freedom fighters ou os seus herdeiros exigem que Costa peça desculpas... De quê? Da chegada de Vasco da Gama à Índia? Do grande guerreiro que conquistou Goa Afonso de Albuquerque? Da construção do porto de Mormugão? Dum colonialismo, é certo, mas muito especial?
Felizmente que, a ser verdade (?), a generalidade do povo goês, e em especial a comunidade católica rejeitam essa pretensa imposição. No contrário pensa-se que Costa não virá...

 

 

 

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Portuguise legacy

por Henrique Antunes Ferreira, em 14.04.16

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Antunes Ferreira
Por toda a Goa a palavra legacy (herança) é uma presença constante; heritage (património) é outra. Juntas acompanhadas do Portuguese são o património herdado dos Portugueses. São as igrejas, são os cruzeiros, são as capelas, são as fortalezas. Porém uma das mais significativas são as casas apalaçadas, verdadeiras mansões típicas da lusa gente ou dos seus descendentes que aqui enriquecera.

 

A manutenção delas é caríssima sobretudo quando se pretende preserva-las numa terra em ue as monções as fustigam impiedosamente. Por isso umas caem numa degradação soturna e amarga. Porém outras, as que são verdadeiros palacetes, são cuidadosamente conservadas e algumas transformaram-se em casas-museus. É uma forma de alcançar receitas que, embora pequenas sempre vão dando para a reparação dos telhados.

 

Salcete é o distrito mais católico enquanto Bardez tem a predominância hindu, Em Salcete, principalmente na vila de Loutulim existe uma "colecção" delas; já visitei quase todas cujos proprietários estão em Portugal e noutras terras estrangeiras e por isso têm de arranjar quem cuide deles e... cobre os bilhetes de ingresso. Os interiores são panóplias dum passado de grandeza e de beleza extraordinárias. A gravura demonstra o que elas são. É a casa de Vicente João Figueiredo um goês riquíssimo falecido nos primeiros tempos de século XX, e hoje mantida por Lurdes Figueiredo (claro, prima da Raquel) sua descendente, Por isso é uma Portuguese legacy heritage....

 

 

 

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Rica e pobre

por Henrique Antunes Ferreira, em 11.04.16

 

 

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Antunes Ferreira
Quase na frente do "meu" prédio tenho uma vizinha: uma velhinha de cabelos brancos, católica, avalia-se por usar vestido, rica (dizem mesmo que é riquíssima); a moradia que possui é um espanto. Uma casa colonial recuperada rodeada de um belo jardim, relva bem aparada, três coqueiros, duas palmeiras, um cajueiro e montanhas de flores. à porta há um porteiro/segurança.

 

O carro em que se faz transportar é um BMW dos grandalhões: custou e custa para cima de dez milhões de rupias (mais ou menos 150.000€) e com chofer permanente. Tem várias criadas (aqui ainda se diz assim) cozinheira e ajudantes - e vive só. Penso que terá mais de noventa anos, mas perfeitamente lúcidos; vai às compras no mercado municipal e de quando em vez dá recepções que são verdadeiras festas. Nos santos populares deitam-se foguetes e até tem um oratório em casa, mas vai à missa e comunga todos os dias. Tudo isto foi-me contado na farmácia plantada na minha rua. O farmacêutico concorre com o salão de beleza unissexo, onde se aprende muito dessas coisas aparentemente mesquinhas que fazem as delícias de quem lá vai. São verdadeiras aulas de coscuvilhice.

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Mais à frente há outra velhinha também de cabelos brancos que ganha à primeira num campeonato de rugas, com mais de "cem" anos (...) que usa um sari desbotado e esfarrapado e pede esmola para comer metendo os dedos na boca desdentada. Senta-se numa pedra, O pessoal que passa não lhe liga mas de quando em vez deita umas moedas na mão encarquilhada. A Senhora católica não repara nela, pois a pobre, para ela não existe.

 

Mas ontem a velha Senhora rica reparou e ordenou ao motorista que desse qualquer coisa à velha senhora mendiga, coisa de vinte rupias (30 cêntimos), porque ela vai gasta-las em feni (aguardente de coco). É um cliché da Índia; é Goa no seu pior. E seguiu para a igreja.

 

Tenho recebido muita correspondência e até uma chamada telefónica da Alemanha pedindo-me prara reconsiderar na minha intenção de pôr fim a este blogue. O meu bom Amigo Seixas da Costa diz-me para fazer textos mais curtos. Já reconsiderei e volto com a palavra atrás: fico. Muito obrigado.

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Estatísticas e... católicos

por Henrique Antunes Ferreira, em 04.04.16

 

 

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Antunes Ferreira
The Navhind Times e 0HERALD0 são os dois maiores diários de Goa, ainda que The Times of India (que aqui tem uma delegação, como acontece por todo o país) não lhes fique muito atrás. São ilustrados a cores em todas as suas páginas e publicados em inglês. Há outros em devanagari - o alfabeto hindu - mas não percebo patavina do que publicam. Só posso dizer que também são coloridos em todas as páginas.

 

Os três primeiros apresentam suplementos de fim-de-semana sobre diversos temas: beleza, economia, fait divers, desporto e finanças entre outros. Têm edições diárias normalmente com 16 páginas. São do formato broadsheet (páginas grandes) inglês e vendem-se - curioso - até ao meio-dia. Depois, os vendedores na rua embrulham as sobras e vão dormir a sua sesta, aliás como bons goeses que se prezam de ser.

 

signature.jpg

 

Costumo lê-los sempre que os apanho; mas para atingir esse objectivo (terminologia de futebolistas e treinadores) tenho de me levantar muito cedo. Porém o vizinho do segundo andar tem um acordo com o ardina: este mete-lhe o jornal dobrado na pega da porta. É o Srhee (Senhor) Bharish Madkaikar tem uma família numerosa seis filhos e duas filhas além da esposa que usa sempre sari de cores lindas. E, claro da sogra.

 

Pois o caridoso e cuidadoso Senhor quando nos encontrámos na escada, já há três anos, decidiu fazer-me uma oferta; eu poderia ler os periódicos e depois devolvê-los ao puxador da porta. Acordámos, eu agradecido, ele sorridente e fomos beber uns uísques ao Riviera. Indianos claro de seu nome Signature. Agora que a doutora Alice Nobre me proibiu bebidas deste tipo continuamos a salutar emborcadela no Foodland perto das nossas casas: mas só cerveja Kingfisher. Quer o primeiro, quer a segunda são excelentes.

 

jorge ribeiro.jpg

 

Anteontem durante o "sacrifício" alcoólico, ficámos a dissertar sobre o que tinha dito um político em Nova Delhi e que os jornais publicaram: os católicos não deviam ter lugar na Índia, pois a sua conversão tinha sido obtida à ponta da espada desde o Albuquerque; ou te convertes ou corto-te a cabeça. O senhor Júlio Ribeiro, natural de Goa como o nome indica e antigo comandante geral da Polícia indiana escreveu um artigo num jornal declarando que os seus ancestrais eram os mesmos do autor da façanha e assim, não queria ser estrangeiro na sua própria terra.

 

Acabámos por assentar na estupidez da acusação e Madkaikar, hindu dos quatro costados, deu-me informações estatísticas Na Índia com um bilião e 300 milhões de habitantes os católicos são apenas dois por cento. Porém em Goa com um milhão e seiscentos mil cidadãos católicos são 30% da população. E já tinham sido quase 50% no tempo dos Portugueses.

urna 1.jpg

 

Perguntou-me se eu já fora à Velha Cidade ver a quantidade de igrejas que ali se encontram. Não quis engana-lo e respondi-lhe que logo em 1980 fora à festa de São Francisco Xavier, na igreja do Bom Jesus, onde vira cristãos, hindus e outros a beijar a urna em vidro, prata e pedras preciosas do santo.

 

Ficámos por aí e voltamos à Mansion Kamat. As coisas são o que são e no Navhind Times vinha uma declaração do arcebispo Morass (penso que o apelido deve ser Moraes)  de Bengalore que disse que os católicos são apenas dois por cento da população indiana, as principais organizações de Saúde são 20% cristãs. A estatística tem cada coisa. 

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Antunes Ferreira
The Navhind Times e 0HERALD0 são os dois maiores diários de Goa, ainda que The Times of India (que aqui tem uma delegação, como acontece por todo o país) não lhes fique muito atrás. São ilustrados a cores em todas as suas páginas e publicados em inglês. Há outros em devanagari - o alfabeto hindu - mas não percebo patavina do que publicam. Só posso dizer que também são coloridos em todas as páginas.

 

Os três primeiros apresentam suplementos de fim-de-semana sobre diversos temas: beleza, economia, fait divers, desporto e finanças entre outros. Têm edições diárias normalmente com 16 páginas. São do formato broadsheet (páginas grandes) inglês e vendem-se - curioso - até ao meio-dia. Depois, os vendedores na rua embrulham as sobras e vão dormir a sua sesta, aliás como bons goeses que se prezam de ser.

 

Costumo lê-los sempre que os apanho; mas para atingir esse objectivo (terminologia de futebolistas e treinadores) tenho de me levantar muito cedo. Porém o vizinho do segundo andar tem um acordo com o ardina: este mete-lhe o jornal dobrado na pega da porta. É o Srhee (Senhor) Bharish Madkaikar tem uma família numerosa seis filhos e duas filhas além da esposa que usa sempre sari de cores lindas. E, claro da sogra.

 

Pois o caridoso e cuidadoso Senhor quando nos encontrámos na escada, já há três anos, decidiu fazer-me uma oferta; eu poderia ler os periódicos e depois devolvê-los ao puxador da porta. Acordámos, eu agradecido, ele sorridente e fomos beber uns uísques ao Riviera. Indianos claro de seu nome Signature. Agora que a doutora Alice Nobre me proibiu bebidas deste tipo continuamos a salutar emborcadela no Foodland perto das nossas casas: mas só cerveja Kingfisher. Quer o primeiro, quer a segunda são excelentes.

 

Anteontem durante o sacrifício alcoólico, ficámos a dissertar sobre o que tinha dito um político em Nova Delhi e que os jornais publicaram: os católicos não deviam ter lugar na Índia, pois a sua conversão tinha sido obtida à ponta da espada desde o Albuquerque; ou te convertes ou corto-te a cabeça. O senhor Júlio Ribeiro, natural de Goa como o nome indica e antigo comandante geral da Polícia indiana escreveu um artigo num jornal declarando que os seus ancestrais eram os mesmos do autor da façanha e assim, não queria ser estrangeiro na sua própria terra.

 

Acabámos por assentar na estupidez da acusação e Madkaikar, hindu dos quatro costados, deu-me informações estatísticas Na Índia com um bilião e 300 milhões de habitantes os católicos são apenas dois por cento. Porém em Goa com um milhão e seiscentos mil cidadãos católicos são 30% da população. E já tinham sido quase 50% no tempo dos Portugueses. Perguntou-me se eu já fora à Velha Cidade ver a quantidade de igrejas que ali se encontram. Não quis engana-lo e respondi-lhe que logo em 1980 fora à festa de São Francisco Xavier, na igreja do Bom Jesus, onde vira cristãos, hindus e outros a beijar a urna em vidro, prata e pedras preciosas do santo.

 

Ficámos por aí e voltamos à Mansion Kamat. As coisas são o que são e no Navhind Times vinha uma declaração do arcebispo Morass (penso que o apelido deve ser Moraes)  de Bengalore que disse que os católicos são apenas dois por cento da população indiana, as principais organizações de Saúde são 20% cristãs. A estatística tem cada coisa. 

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