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Mensagem de Boas Vindas

Este blogue é feito por Amigos para Amigos, porque a Amizade é uma das melhores coisas da vida. Quem vier por bem será bem acolhido. Sejam bem vindos!

...

por Henrique Antunes Ferreira, em 19.12.15

 

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Tinha 834 presépios e orgulhava-se da sua colecção. Conhecia-os todos, de um para outro. Local onde adquirira este, preço que dera por aquele. Dona Adalgisa podia definir-se assim: solteirona (pelo menos homem não se lhe conhecia, só se fosse cego)  56 anos, esqueleto quase sempre coberto de preto, rata de sacristia e comia um bolo de arroz ao pequeno-almoço no café do Rosmaninho. Ressalve-se, um bolo, uma meia de leite e aos dias feriados um pãozinho com manteiga ou margarina, mais barata. Mas, agora aproximava-se pé ante pé o Natal. Bacalhau, sozinha? Não tinha contas bancárias; com o pouco que amealhava comprava mais presépios. Por isso não tinha cepa ou pouca sequer.

 

Renegava como boa beata que era, essa ideia estapafúrdia de terem abolido os feriados religiosos; com os civis, vá que não vá, alguns diziam que eram republicanos, da maçonaria, o primeiro de Dezembro não era nada disso, era a data gloriosa da Restauração da Independência de Portugal em 1640. No resto, podiam bem ser dispensados, a começar no 5 de Outubro, que até estátua tinha. Comemorar o 25 de Abril que fora a desgraça de muitos bons chefes de família? Ná.

 

Do pouco que conseguia arranjar lá vinha mais um estábulo com o Menino nas palhinhas, para além do óbolo para as vocações sacerdotais não gastava um cêntimo e se houvera moeda de meio, também isso aconteceria. O quarto andar sem elevador em que morava, comprara-o o tio Hermínio, já falecido e que em testamento lho doara.  Conta-se que quando os Reis Magos chegaram ao estábulo viram o Menico ladeado por um burro e uma vaca. O Baltazar perguntou:É isto a companhia de Jesus? Os jesuitas não gostam...

 

Esmolas nem vê-las os pedinchões tinham bom corpo para trabalhar. Dizia a tia Pulquéria que o trabalho dava saúde e bufava quando ouvia o irmão, o tio Marcelino, regougar completando o dito, sendo assim, que trabalhem os doentes. Marcelino sempre fora a ovelha negra da família, por vezes ela até ficava envergonhada por ter um tio malandro – que era o que era, um vadio sem eira nem beira, jogador e espanholas de Carcavelos.

 

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O prior padre Santana deu por falta dela, já há alguns dias os paramentos não tinham sido passados, o cálice das hóstias não estava polido e sobretudo o vinha de missa era uma zurrapa. Tentou averiguar o que lhe teria acontecido, perguntou às vizinhas se tinham dado conta dela, que não, ninguém a vira, podia estar doente e como vivia sozinha… Mas cheirava mal do apartamento, muito mesmo. Chegaram os bombeiros para arrombar a porta, faltava a licença camarária e a autorização da PSP. Foram busca-las. Seis horas depois chegaram, com carimbos e tudo.

 

24 de Dezembro - Arrombada a porta, um cheiro nauseabundo. A pestilência vinha do quarto da Dona Adalgisa. Estava na cama rodeada de presépios e em estado de putrefacção adiantadíssimo. O senhor da Pê Jota durante as averiguações contou 833 presépios; tinham-lhe roubado um, o mais caro. A autópsia concluiu: estava morta; nenhum órgão vital fora atingido; no corpo não fora possível descobrir orifício de bala ou lenho de arma branca; nas vísceras nem sombra de arsénico, curare ou de outro qualquer veneno. Conclusão: tinha morrido de susto, de desgosto – e de fome.

 

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28 comentários

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De Henrique Antunes Ferreira a 20.12.2015 às 21:28

Céuzinhamiga

Pronto, estou farto de me confessar que sou uma besta, burro, velho, distraído e analfabruto.

A maldita PDI prega-me cada rasteira; sabe que tenho a memória um tanto ou quanto amolgada – e daí, toma que já almoçaste!

Querida Céu, as minhas desculpas, a minha vergonha e o meu opróbrio. Mas a tua benevolência (que não me canso de enaltecer) leva-me a pensar que já alcancei o teu perdão.

Quanto à História e às estórias faço o que posso, com a esperança de que me reconheçam ou não os parcos conhecimentos que tenho, bem como a invencionice de que abuso.

Por este lado penso que me safei…

No que concerne a mais uma falta, vou já a caminho da Céu para acrescentar comentário, aliás bem merecido pela insigne autora do poema em prosa.

Bjs da Raquel e qjs do Leãozão




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De CÉU a 22.12.2015 às 01:05

"Meu Amor" de Henrique!

Tanta adjetivação, e ainda por cima, completamente oposta à sua pessoa.

Pedido de desculpas? Mas, não cometeu nenhum "crime", nem algo parecido, apenas (um) esquecimento, que qualquer um/a de 20 anos pode ter.
Por mim, "na boa", mas tenho de dizer-lhe que os seus comentários engrandecem o meu espaço. Quando quiser apareça, as "portas" já se estão a abrir, mandei colocar passadeira vermelha e comprei flores e doces para ambos. Hum! E que tal?

Quero informá-lo de que (dizer que e informar de que. Não é Mestre?) publicarei dia 23 deste mês, portanto 4ª feira próxima, e que estão desde já convidados para assistirem (só assistir, lamento, meus queridos) ao "banquete".

En ce qui concerne, pode chegar à "CÉU", quando lhe aprouver.
Insigne? Insígnias, não propriamente!

Vou começar já a abrir os braços para vos albergar como merecem, ou seja, o mais comodamente possível.

Beijos? Os melhores para tous les deux.

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De Henrique Antunes Ferreira a 22.12.2015 às 01:42

Minha adorada Céuzitamiga

Eu quero, antes do mais, dizer que o céu dos pardais é a barriga dos gatos... :-))) Isto não tem nada que ver com a resposta que o teu escrito merece.

Estou, estamos comovidos com a gentileza da oferta e sobretudo com a passadeira vermelha. Parece que estamos na grande noite de Hollywood para a entrega dos Óscares. Muitos vestidos de cauda, muitos semôquingues, muitas mamas quase à mostra, muitos fotógrafos, camaramen, jornalistas, radialistas e uma malta a assistir de fora.

Informar de que está mais do que correcto, está correctíssimo, de acordo com o mestre-de-obras feitas que sou.

Mas, porém, todavia, contudo que se vai passar no dia 23? Estou intigado e impaciente para o saber e a Raquel me accompagne à la guitare et à l'alto

O mais comodamente possível - depois de abrir-nos os braços será com certeza no teu seio de mãe amantíssima. Vou preparado (e a minha cara-metade também) - levo a chupeta e ela o biberão... Biba!!!!!!!!

Bjs da Soţia mea e qjs do Leãozão pasmado, oops, prostrado aos nivios pés de Vossa Insolência

Ite, missa est. À mãe

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