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Mensagem de Boas Vindas

Este blogue é feito por Amigos para Amigos, porque a Amizade é uma das melhores coisas da vida. Quem vier por bem será bem acolhido. Sejam bem vindos!

Rica e pobre

por Henrique Antunes Ferreira, em 11.04.16

 

 

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Antunes Ferreira
Quase na frente do "meu" prédio tenho uma vizinha: uma velhinha de cabelos brancos, católica, avalia-se por usar vestido, rica (dizem mesmo que é riquíssima); a moradia que possui é um espanto. Uma casa colonial recuperada rodeada de um belo jardim, relva bem aparada, três coqueiros, duas palmeiras, um cajueiro e montanhas de flores. à porta há um porteiro/segurança.

 

O carro em que se faz transportar é um BMW dos grandalhões: custou e custa para cima de dez milhões de rupias (mais ou menos 150.000€) e com chofer permanente. Tem várias criadas (aqui ainda se diz assim) cozinheira e ajudantes - e vive só. Penso que terá mais de noventa anos, mas perfeitamente lúcidos; vai às compras no mercado municipal e de quando em vez dá recepções que são verdadeiras festas. Nos santos populares deitam-se foguetes e até tem um oratório em casa, mas vai à missa e comunga todos os dias. Tudo isto foi-me contado na farmácia plantada na minha rua. O farmacêutico concorre com o salão de beleza unissexo, onde se aprende muito dessas coisas aparentemente mesquinhas que fazem as delícias de quem lá vai. São verdadeiras aulas de coscuvilhice.

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Mais à frente há outra velhinha também de cabelos brancos que ganha à primeira num campeonato de rugas, com mais de "cem" anos (...) que usa um sari desbotado e esfarrapado e pede esmola para comer metendo os dedos na boca desdentada. Senta-se numa pedra, O pessoal que passa não lhe liga mas de quando em vez deita umas moedas na mão encarquilhada. A Senhora católica não repara nela, pois a pobre, para ela não existe.

 

Mas ontem a velha Senhora rica reparou e ordenou ao motorista que desse qualquer coisa à velha senhora mendiga, coisa de vinte rupias (30 cêntimos), porque ela vai gasta-las em feni (aguardente de coco). É um cliché da Índia; é Goa no seu pior. E seguiu para a igreja.

 

Tenho recebido muita correspondência e até uma chamada telefónica da Alemanha pedindo-me prara reconsiderar na minha intenção de pôr fim a este blogue. O meu bom Amigo Seixas da Costa diz-me para fazer textos mais curtos. Já reconsiderei e volto com a palavra atrás: fico. Muito obrigado.

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Estatísticas e... católicos

por Henrique Antunes Ferreira, em 04.04.16

 

 

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Antunes Ferreira
The Navhind Times e 0HERALD0 são os dois maiores diários de Goa, ainda que The Times of India (que aqui tem uma delegação, como acontece por todo o país) não lhes fique muito atrás. São ilustrados a cores em todas as suas páginas e publicados em inglês. Há outros em devanagari - o alfabeto hindu - mas não percebo patavina do que publicam. Só posso dizer que também são coloridos em todas as páginas.

 

Os três primeiros apresentam suplementos de fim-de-semana sobre diversos temas: beleza, economia, fait divers, desporto e finanças entre outros. Têm edições diárias normalmente com 16 páginas. São do formato broadsheet (páginas grandes) inglês e vendem-se - curioso - até ao meio-dia. Depois, os vendedores na rua embrulham as sobras e vão dormir a sua sesta, aliás como bons goeses que se prezam de ser.

 

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Costumo lê-los sempre que os apanho; mas para atingir esse objectivo (terminologia de futebolistas e treinadores) tenho de me levantar muito cedo. Porém o vizinho do segundo andar tem um acordo com o ardina: este mete-lhe o jornal dobrado na pega da porta. É o Srhee (Senhor) Bharish Madkaikar tem uma família numerosa seis filhos e duas filhas além da esposa que usa sempre sari de cores lindas. E, claro da sogra.

 

Pois o caridoso e cuidadoso Senhor quando nos encontrámos na escada, já há três anos, decidiu fazer-me uma oferta; eu poderia ler os periódicos e depois devolvê-los ao puxador da porta. Acordámos, eu agradecido, ele sorridente e fomos beber uns uísques ao Riviera. Indianos claro de seu nome Signature. Agora que a doutora Alice Nobre me proibiu bebidas deste tipo continuamos a salutar emborcadela no Foodland perto das nossas casas: mas só cerveja Kingfisher. Quer o primeiro, quer a segunda são excelentes.

 

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Anteontem durante o "sacrifício" alcoólico, ficámos a dissertar sobre o que tinha dito um político em Nova Delhi e que os jornais publicaram: os católicos não deviam ter lugar na Índia, pois a sua conversão tinha sido obtida à ponta da espada desde o Albuquerque; ou te convertes ou corto-te a cabeça. O senhor Júlio Ribeiro, natural de Goa como o nome indica e antigo comandante geral da Polícia indiana escreveu um artigo num jornal declarando que os seus ancestrais eram os mesmos do autor da façanha e assim, não queria ser estrangeiro na sua própria terra.

 

Acabámos por assentar na estupidez da acusação e Madkaikar, hindu dos quatro costados, deu-me informações estatísticas Na Índia com um bilião e 300 milhões de habitantes os católicos são apenas dois por cento. Porém em Goa com um milhão e seiscentos mil cidadãos católicos são 30% da população. E já tinham sido quase 50% no tempo dos Portugueses.

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Perguntou-me se eu já fora à Velha Cidade ver a quantidade de igrejas que ali se encontram. Não quis engana-lo e respondi-lhe que logo em 1980 fora à festa de São Francisco Xavier, na igreja do Bom Jesus, onde vira cristãos, hindus e outros a beijar a urna em vidro, prata e pedras preciosas do santo.

 

Ficámos por aí e voltamos à Mansion Kamat. As coisas são o que são e no Navhind Times vinha uma declaração do arcebispo Morass (penso que o apelido deve ser Moraes)  de Bengalore que disse que os católicos são apenas dois por cento da população indiana, as principais organizações de Saúde são 20% cristãs. A estatística tem cada coisa. 

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Antunes Ferreira
The Navhind Times e 0HERALD0 são os dois maiores diários de Goa, ainda que The Times of India (que aqui tem uma delegação, como acontece por todo o país) não lhes fique muito atrás. São ilustrados a cores em todas as suas páginas e publicados em inglês. Há outros em devanagari - o alfabeto hindu - mas não percebo patavina do que publicam. Só posso dizer que também são coloridos em todas as páginas.

 

Os três primeiros apresentam suplementos de fim-de-semana sobre diversos temas: beleza, economia, fait divers, desporto e finanças entre outros. Têm edições diárias normalmente com 16 páginas. São do formato broadsheet (páginas grandes) inglês e vendem-se - curioso - até ao meio-dia. Depois, os vendedores na rua embrulham as sobras e vão dormir a sua sesta, aliás como bons goeses que se prezam de ser.

 

Costumo lê-los sempre que os apanho; mas para atingir esse objectivo (terminologia de futebolistas e treinadores) tenho de me levantar muito cedo. Porém o vizinho do segundo andar tem um acordo com o ardina: este mete-lhe o jornal dobrado na pega da porta. É o Srhee (Senhor) Bharish Madkaikar tem uma família numerosa seis filhos e duas filhas além da esposa que usa sempre sari de cores lindas. E, claro da sogra.

 

Pois o caridoso e cuidadoso Senhor quando nos encontrámos na escada, já há três anos, decidiu fazer-me uma oferta; eu poderia ler os periódicos e depois devolvê-los ao puxador da porta. Acordámos, eu agradecido, ele sorridente e fomos beber uns uísques ao Riviera. Indianos claro de seu nome Signature. Agora que a doutora Alice Nobre me proibiu bebidas deste tipo continuamos a salutar emborcadela no Foodland perto das nossas casas: mas só cerveja Kingfisher. Quer o primeiro, quer a segunda são excelentes.

 

Anteontem durante o sacrifício alcoólico, ficámos a dissertar sobre o que tinha dito um político em Nova Delhi e que os jornais publicaram: os católicos não deviam ter lugar na Índia, pois a sua conversão tinha sido obtida à ponta da espada desde o Albuquerque; ou te convertes ou corto-te a cabeça. O senhor Júlio Ribeiro, natural de Goa como o nome indica e antigo comandante geral da Polícia indiana escreveu um artigo num jornal declarando que os seus ancestrais eram os mesmos do autor da façanha e assim, não queria ser estrangeiro na sua própria terra.

 

Acabámos por assentar na estupidez da acusação e Madkaikar, hindu dos quatro costados, deu-me informações estatísticas Na Índia com um bilião e 300 milhões de habitantes os católicos são apenas dois por cento. Porém em Goa com um milhão e seiscentos mil cidadãos católicos são 30% da população. E já tinham sido quase 50% no tempo dos Portugueses. Perguntou-me se eu já fora à Velha Cidade ver a quantidade de igrejas que ali se encontram. Não quis engana-lo e respondi-lhe que logo em 1980 fora à festa de São Francisco Xavier, na igreja do Bom Jesus, onde vira cristãos, hindus e outros a beijar a urna em vidro, prata e pedras preciosas do santo.

 

Ficámos por aí e voltamos à Mansion Kamat. As coisas são o que são e no Navhind Times vinha uma declaração do arcebispo Morass (penso que o apelido deve ser Moraes)  de Bengalore que disse que os católicos são apenas dois por cento da população indiana, as principais organizações de Saúde são 20% cristãs. A estatística tem cada coisa. 

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Aventura em Benaulim

por Henrique Antunes Ferreira, em 30.03.16

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Hoje o textículo resulta duma experiência

assaz interessante como poderão ver de seguida

Não tem reportagem de viagens diversas,

nem visitas a casas antigas. Tem apenas um evento

inédito e é absolutamente pessoal.

Que me perdoem os pacientes leitores...

 

Antunes Ferreira
Benaulim nome estranho para quem chega é uma praia, pouco afastada de outra, Colvá. O que não admira pois é sabido que praticamente toda a costa goesa é quase uma praia sem soluções de continuidade. Areias doiradas, céu claríssimo, comer à beira mar, num restaurante porreiro onde já nos conhecem pois somos fregueses habituais...

 

Ontem decidi-me e fui experimentar o paraseiling (como é chamado por cá)que se trata de um para-quedas puxado por um outboard rápido o que faz com que o globo se enfune e suba para uma altura considerável. Os proprietários e ajudantes deste memorável zingarelho sabem tudo, começando pelo cálculo dos ventos absolutamente indispensável e pela condução do "aparelho". Penso, no entanto que os pilotos não têm brevê, mas são bem comportados... Nunca abusam dos passageiros, muito pelo contrário. Uma torpe benfiquista escreveu.me perguntando se eu chega ao céu com um homem atrás? Invejas e maledicências.

 

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Já no ano passado pensara na experiência, mas com a perna ainda entrapada não me pareceu aconselhável, além disso a minha patroa fiscalizava-me como sempre e achava que a brincadeira era perigosa. Nada disso, bem pelo contrário, e ontem provei que era fantástica. As primeiras duas vezes que me preparava para voar os ventos não estavam de feição segundo me informaram os membros da equipa e quando estivesse tudo bem, viriam chamar-me ao restaurante e à minha cerveja antes que... aquecesse.

 

Fiquei com a suspeita que era sobretudo uma questão de peso, mas o "director de operações" garantiu-me que não se tratava disso, os meus 117 quilitos não eram objecção que viesse,visse e ...sentisse. Até que finalmente um precioso ajudante de auxiliar de praticante chegou-se ao pé do bar e afirmou-me peremptoriamente come, Sir; porém eu não estava a comer, apenas a engorjar uma bejeca fresqérrima. Fui. A Raquel entretida com as eternas palavras cruzadas nem reparou que eu fora a caminho da aventura, aliás, disse ela depois que pensava que eu estava a brincar.. Mas, não estava.

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A coisa é muito mais simples do que parece. Além do tal comandante da aeronave, o resta da malta que constitui a equipa passou-me uma data de correias em nylon uma das quais era o meu assento. Um colete salva-vidas (um tanto apertado...) completa o equipamento; o piloto segura-se atrás do viajante, manobra os cabos do para-quedas e começamos a voar no céu azul. Um arranque mais ou menos suave e o passageiro, neste caso eu, vai vendo o que se passa lá na praia e na costa, com uma visão espectacular, e conversando com o condutor; umas voltas para lá, outras para cá e até me dou ao luxo de largar as mãos das correias plásticas a fim de acenar para as formigas lá em baixo que afinal são os banhistas.

 

Ocorre-me de imediato o Domenico Modugno da minha juventude e o seu Volare. È comiciamo a volare nel cielo infinito, oh, oh, cantare, oh, oh, oh; nel blu ti pinto de blu, felici di stare la su ... As voltas duram cerca de três minutos e juro que valem a pena. O Carminho Costa, de Mapuçá, amigo que já referi por diversas vezes (o que bem merece) tinha-me dito ao telefone quando lhe comuniquei que ia fazer o tal paraseiling que visse se as correias aguentavam comigo. Provocação, à qual como é de bom tom, não respondi.

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Quando aterrámos comecei a bater palmas e a felicitar o grupo. Ficaram todos muito contentes pois não era habitual os fregueses procederem daquela maneira. Também dei um bacalhau a cada um deles, e nas suas caras morenas romperam muitos sorrisos que passaram rapidamente a gargalhadas. O meu piloto até me ajudou a caminhar na areia, por isso trouxe as minhas chanatas; eu trazia a minha bengala de quatro patas, mas agradeci-lhe a gentileza. Fez as contas com a ministra das Finanças, a Raquel, e pôs-se na alheta... Oitocentas rupias (mais ou menos dez euros)Barata a festa. Vou voltar a viajar para que a Raquel fotografe o herói e quiçá faça um vídeo...

 

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Isto porque quero um registo para a posteridade e para que a minha malta acredite; não que filhos, netos e amigos (da onça?) não creiam na façanha do pai e avô. Nestes acontecimentos, que são aparentemente raros, não se pode acreditar em ninguém, nem mesmo na própria sombra... E se não concordarem peço-vos o obséquio de consultarem o Lucky Luke.

Resta acrescentar que três dias depois voltei a voar de paraseiling. Para que me fotografassem no sentido de tirar as dúvidas de algumas almas descrentes da façanha. Numa chamada telefónica para Portugal, o meu filho Luís Carlos informara-me que era como São Tomé: ver para crer... Agora já vê.

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Lagosta suada

por Henrique Antunes Ferreira, em 24.03.16

Antunes Ferreira

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O sol daqui não brinca em serviço: tal como o anúncio de antigamente queima que se farta. Em Benaulim, praia bonita, sossêgada Johncy, Bar & Restaurant, food multicuisine, onde os waiters já nos conhecem, quase já sabem o que é nosso breakfast tão variado quanto as propostas que o menu traz. Penso que eles jogam ao par ou no, com a nossa escolha o que lhes rende umas rupias mais. Virados para o mar ali mesmo à beirinha a duzentos e cinquenta metros de distância (na monção e maré cheia o oceano galga soberano até ao edifício...)

Tirámos assinatura durante os 26 dias em que lá estivemos, duma mesa para quatro - por bastantes vezes chegaram convidados - mesmo junto ao corrimão que a separa da areia. Todos os dias vamos até lá nos táxis da família Almeida, Aleixo Caridade & filhos. Vêm buscar-nos ao Ocean Grove, em Colvá, magnífica urbanização onde fica o apartamento com A/C (ar condicionado), do padre/primo Francisco que quando lhe perguntei já alguns anos quando era a renda, me respondeu 20 padre-nossos e 30 ave-marias....
 
Não creio que seja caro pois tem guarda fardado ao portão de entrada, jardim infantil e outras mordomias. O primo, mais do que padre, exerce o seu munus na Austrália e só vem a casa em momentos especiais. É um senhorio bué da fixe! Há uns anos tentou vir para uma paróquia de Lisboa, mas não chegou a... chegar. António Ribeiro, meu Amigo do peito e da RTP, ainda não era Patriarca; se já o fosse cantaria o galo por outra pauta e o primo/sacerdote estava em terra de fala lusa.
 
Adiante, que isto é uma estória de pasmar, e um dia destes conta-la-ei com todos os efes e erres. Volto ao enunciado do dia-a-dia. Os nossos motoristas vêm buscar-nos às dez e meia da manhã e trazem-nos de volta a casa pelas cinco horas p.m. O que quer dizer que também almoçamos no Johncy. Por isso temos tratamento VIP, pois até o patrão que diz umas coisas em Português já veio à nossa mesa perguntar-nos o que queríamos mais. E o empregado-conhecedor: first a bottle of water and twenty five kilos of ice... O Senhor Pavlov não é para aqui chamado; seria um despautério coloca-lo neste paradisíaco local. O mesagarfo nada tinha a ver com a campainha do russo. Sejamos francos: não se tratava de reflexos condicionados; era apenas o repetir o pedido habitual do consumidor.
 
Depois do banho e do astro-rei com o papo para o ar, segue-se um almoço frugal pois o pequeno (?) almoço fora tardio. Especializei-me veg pakora que, também prometo, explicarei em seu tempo. Entretanto chegam as vendedoras de pulseiras e colares em prata "verdadeira", tecidos diversos e multicoloridos, canetas alusivas, um bric-a-brac que motiva ou um não forte ou um começo de discussão sobre preços. A Raquel é uma exploradora da classe ope..., perdão uma especialista no bargain - não seja ela goesa. Isso diz tudo; tem um procedimento que me põe os cabelos em pé: face à quantia pedida oferece vinte por cento - do valor solicitado.
 
Aí começam as negociações enquanto leio "Os cães da guerra" de Frederick Forsyth que conta uma estória de mercenários. Deleito-me também a assobiar para o ar, fingindo que não é nada comigo; e até é. Vem o gajo das massagens sem mácula e o que oferece tatuagens, verdadeiras, a picar, ou falsas por decalcomania que duram at least a month, with bain. Enxotam-se, mas algumas são tão coloridas que chamam a atenção de duas senhoras da mesa ao lado, que são inglesas usam bikini e pesam no mínimo uns cem quilitos. O marido duma - ou será das duas, num ménage à trois (?) com excesso de peso - fuma sofregamente um charuto enquanto lê o Times de quatro dias atrás.
 

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São uns dias bem passados no ripanço: na areia junto ao oceano um grupo da malta oferece um passeio de paragliding que já experimentei e até repeti. (ver outra croniqueta sobre o tema) e há uma moto- náutica que se pode alugar. Na praia de Benaulim não se encontram vacas (sagradas?); é um local respeitado e respeitável, onde há turistas de raças e qualidades diferentes. Indianos de outros estados que aqui vêm passar uns dias de férias e beber álcool - nos de origem a venda e o consumo público são proibidos - e aqui desforram-se.
 
Há parzinhos ocidentais de mãos dados e óleo para o sol protecção alta, pois vieram despachados na versão e cor leitosa e querem alcançar o nirvana moreno. Há ainda uns senhores abonados, de Rayban escuros, que se abraçam às meninas suas secretárias; em casa as digníssimas esposam julgam que o caro-metado foi participar num workshop na Ericeira. Mas, como se entende não foram; estão em Benaulim a gozar que nem uns frades de pança repleta e, ainda por cima (ou por baixo?) agarrados às maminhas das eficientes funcionárias para todo o serviço. E finalmente há quem vá passear na areia, inclusive à beira-mar, os indianos, eles de fato e gravata, elas de vestido à moda dos anos cinquenta.
 

 

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Vêm senhoras de sari a tomar banho vestidas nas salsas ondas. É uma praia como todas as praias só que esta é em Goa. A Raquel chama-me para que eu saia do sol. Estás vermelho que nem uma lagosta. E digo só para mim: com o calor que está sou uma lagosta suada - mas sem panela...

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Bilionários e miseráveis

por Henrique Antunes Ferreira, em 24.02.16

 Antunes Ferreira
No domingo fui a Mapuçá (hoje Mapusa embora se pronuncie da mesma maneira, mas a escrita hindu não tem acentos nem cês cedilhados…) a fim de fazer umas compras no seu mercado e para assistir a um baptizado. Coisa pequena: cerca de 500 convidados. Leia-se bem: quinhentos convidados. Já estive em casamentos com mais de dois mil bicos… Num deles aconteceu-me uma coisa original: apesar de os nubentes serem primos da Raquel – nem os conheci…

 

Já morei no que é a terceira cidade de Goa. Tipicamente indiana, ainda que habitada principalmente por goeses. Curioso: se perguntarmos a um cidadão natural de Goa, o que ele é, responderá que é goês. E os outros de diferentes estados da Índia? Indianos… Com o mesmo tom de pele, com os mesmos cabelos pretos escorridos, a resposta é, por vezes, estrangeiros…Idiossincrasia muito especial, por certo influenciada pelos Portugueses.

 

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Fomos no táxi do Premanand nosso motorista/secretário ele auto apelida-se assim que já nos transporta há mais de sete anos, excepto no ano passado em que tinha sido operado a seis obstruções cardíacas. E a partir de agora também nosso filho. Pelos vistos basta vir cá e logo aumenta a família.De Miramar a Mapuçá são cerca de dezasseis quilómetros. Mas o tráfego é o que é: demorámos mais de meia hora, quiçá mesmo quarenta e oito minutos que os contei – só para ter uma certeza… Pelo caminho deparámos com um facto inusitado: um semáforo! Que se divide em três colunas, mas realmente é um, tal como a Santíssima Trindade. Parece que foram comprados dois, mas o segundo ainda está nas mãos das comissões que estudam onde será instalado desde há dois anos... quiçá três ou quatro. Numa terra onde os muito ricos e os muito pobres constituem uma dicotomia indescritível, a miséria muitíssimo maior do a riqueza Goa é... Índia.

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Perante esta situação veio-me à memória o meu professor de Direito Administrativo na Faculdade de Direito na Universidade de Lisboa, Marcelo Caetano, nos anos sessenta (estas recordações dizem-me já estou mesmo velho não gaiteiro, mas com a cabeça ainda cimo do tronco). Dizia o insigne Mestre (que em minha opinião devia ter continuado a carreira universitária e não vir a dar cabo dela com a assumpção do cargo de Presidente do Conselho) que em Portugal quando não se pretende concluir um processo, nomeia-se uma comissão. E apontando enfaticamente para ele próprio "e quando se pretende alcançar um objectivo atribui-se a responsabilidadde a uma pessoa devidamente habilitada..." Marcelo era o autor do Códido Administrativo...

 

 

Isto foi apenas um parêntesis no meio da estrada para Mapuçá, muito melhorada diga-se de passagem. Aproveito a ocasião para referir as novas vias rodoviárias que estão constamente em reparação ou mesmo construção. Neste particular tenho de referir o reverso da medalha: o trabalho manual que engloba homens e mulheres com uns olhos trites, dolentes, umas com cestos à cabeça para transportarem terras e gravilhas; outras abrem rasgos no terreno para passarem novos cabos eléctricos ou telefónicos ou manilhas enormes de cimento. Os machos miram as trabalhdoras, conduzem camiões britdeiras, buldozeres, gruas. O asfalto é estendido sem quaisquer cuidados de saúde sem qualqer protecção, com os mesmos olhos cansados e misérrimos; leite nem falar.

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Há garotos a acartar terra,gravilha e betão. Na Índia e naturalmente em Goa o trabalho infantil não tem regras. Nova Delhi já proibiu este atentado contra meninas e meninos - mas da lei à prática...

 

Entretanto sai-nos um engarrafamento monumental por causa dos trabalhos da nova ponte sobre o Mandovi, construída entre as duas existentes. Uns tapumes de plástico ondulado e verde enchem uma boa parte da estrada. Premanand com a sua perícia habitual vai-se safando por entre a cacafonia de buzinadelas, os habilidosos das motorizadas e das vespas e até de riquexós que furam a densidade da confusão rodoviária. Já há muitos pilares prontos aguando os tabuleiros que os unirão. É a maior obra pública do estado de Goa. Uns consideram-me absolutamente necessária, outros dizem que é um exemplo da megalomania do poder.

 

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Por incrível que pareça os trabalhadores do aço que constroem as cofragens para onde entrará o betão, usam capacetes de protecção. Trepam como gatos pelos ferros armados sem qualquer corda qu os segure; se cairem será mais uma desgraça; nem subsídio para o funeral a família receberá. Estes equilibristas sem rede usam os mesmos olhos tristes, mastigam cana de açúcar e, apesar de especialistas, trabalham - mas não sonham. Com a miséria constroem um calvário, o seu calvário e a ponte.

 

É um trabalho muito mal pago, há até quem diga que é uma forma de escravidão, mas penso que esta última afirmação é exagerada. No entretanto os obreiros quais formigascegas lá estão, andrajosos, porcos mas pacientes - é a resignaçaão dos orientais. Pergunto ao Premand quanto ganham estes desgaçados e ele responde que não sabe mas que deve chega para o arroz diário. É a diferença abissal entre os muito ricos e os miseráveis. Isto também é Goa.

 

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O milagre do Almanac

por Henrique Antunes Ferreira, em 18.02.16

Antunes Ferreira

 

Hoje vou contar um milagre verdadeiro. Não acredito em milagres, mas neste podem acreditar que sim, que é. Trata-se do Almanac de Parede que acaba de completar 113 anos sempre em língua portuguesa. A família Correia foi a sua fundadora. Reporto-me a um excelente assinado por Karsten Miranda na revista semanal de OHERALDO de que já escrevi um texto. Agradeço ao jornal e ao autor, aos quais nem seguer

 

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A história dos Correias durante quatro gerações diz que nasceu em 1903 e ea impresso na Tipografia Progresso em Margão. Hoje o Almanac tem uma tiragem de mil eemplares, dos uais 125 vão para Damão onde o Português ainda é bastante usado. Ao fundador seguiram-se o filhoJoaquim Felipe Roque Correia e depois o neto Eric Correia, que é advogado mas continua a editar a publicação. Passaram pela Direcção Domingos e Elisa Ena Correia.


Auxilia o causico, sua mulher Sheira que é a entusiasta do Almanac que entre os seus diversos apoiantes conta com aFundação Oriente. Modernzou-se ainda qje seja publicado a preto e branco. Até já tem um Website linkado ao do governo de Goa. Continua a publicaar as festas católicas e as hindus, telegramas e seu preço, dias feriados das duas religiões, regras de de etiqueta e os nomes dos santos pdroeiros de cada dia. Nem falta a necrologia, com os pormenores dos funerais e respectivas condolências...

 

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Mas o relevo é dado à festa anual de São Francisco Xavier na Velha Cidade e as novenas de Velha Goa que não tem nada que ver com a anterior. Mais um pormenor: no pricípio custava 25 poiçás preço que nem seuer tinha correspodênciia com o escudo português. Hoje compra-se por dez rupias (um euro vale cerca de 74 rupias...)
Um Amigo de Mapuçá (a terceira cidade de Goa) tem a colecçõ completa do Almanac de Parede que vem desde l seu bisavô até hoje. Repito o que no início deste artigo escrevi: é um milagre do querer, da perverança, do amor da Família Correia. Sem tentar fazer comparações (que poderiam ser de mau gosto) vem-me ao toutiço o nosso Borda d'Água ainda que sem gantos pormenores deste último.


Há uns tempos antigos (1980) escrevi para o DN um texto em que referia o incómodo da não existência do cê ceilhado cujo tipo se tinha perdido ou quiçá partido. O título era "Escrever coração com um 5 invertido". Goa está cheia de coisas quare inverosíveis mas que acontecem desafiando o tempo. Não é preciso muito tempo para as descobir e entender. Elas estão aqui à mão de semear. Haja quem acompanhe um qualquer escriba e elas surgem aparentemente do nada.


Nunca me passaria pela cabeça descobrir a publicação, mas finalmente isso aconteceu. Porque em Goa pode acontecer tudo, até o Almanac de Parede que se pode encontrar nas paredes das velhas mansões ao estilo português. Ou seja, ao estilo luso-goês hoje ao estilo colonial...

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Margão - as piras funerarias

por Henrique Antunes Ferreira, em 13.02.16

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Um destes dias fui a Margão considerada a segunda cidade do estado de Goa. É mais populosa do que Panjim, mas nunca teve aspirações a ser capital. Recordo o que aprendi em 1980 em que vim à terra que me enfeitiçou, pela segunda vez, já que a primeira goesa que também o fez é a minha mulher Raquel. Tenho falado tanto dela (dela, da minha cara-metade. Margão é interessante e de certa forma empolgante. Situa-se nas margens do rio Sal e goza do privilégio de ser uma das mais antigas cidades do estdo. A construção civil é uma bomba um tanto descontrolada, o que orgina que ela tenha o indice de maoir crescimento.

 

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Quando chega um cidadão anónimo e bem comportado - o que é o meu caso - depara-se com uma entrada da cidade pejada de casas coloniais dos tempos dos Portueses, algumas a caminho do final, remendadas, sem quaisquer modificações ou melhoramentos em risco que queda no nada. Tem, ainda mansões famosas, que mais parecem palácios, infelizmente muitas em estado de degradação. Mas no interior são um espanto. Tal como muitas outras que sde encntram por toda a Goa. É muito caro mantê-las como é evidente; dez/onze divisões, cozinhas (duas ou três) sanitário, muitas delas com capelas próprias. Não há rupias nem paciência que motivem os seus donos. Há ainda os que emigraram em busaca de melhor vida e os que fizeram das terras onde vivem as suas "próprias" terras..

 

No seu centro está plantado o jardim Ali Khan uma oferta do chefe dos ismaelitas. À roda há uma colmeia que percorre as lojas mais diversas recheadas de todas as mercadorias. Logo me lembro que também em oitenta me disse uma prima direita (há as "tortas", ou seja em segundo, terceiro e quarto grau e não sei se mais.Talvez de marcha-atrás...) da Raquel.Trazia-me aqui a vontade de ver pela primeira vez o crematório hindu e o cemitério muçulmano, curiosamente situados na chamada rua das saudades... E vi-os, sem tirar fotografias por dois motivos, a saber: porque sou uma abécula ao tentar manejar o smartfone que só me serve falar com outra gente, no resto nada. A segunda foi porque o meu condutor/seceretário Premanand (que a passar destes momentos é também meu filho...) me avisou para o não fazer senão caíam o Carmo e a Trindade.

 

Óbvio que ele não usou a expressão, mas mais vale estar prevenido. Ainda fui ver como estava o mercado Afonso de

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Albuquerque que continua a ser assim denominado. Estava como sempre, pejado de gente católica e hindu, pois os muçulmanos em Margão são minoritários, ainda que não se fale no Daesh... À minha espera em frente de um edifício que já conhecia bem, a câmara municipal, (também do tempo dos portugueses) estava o senhor Rosário que nem sabia se era primo de alguém, mas tinha de sê-lo naturalmente. O senhor Manuel do Rosário de Fátima, que já estivera em minha casa na capital do "Império" e comera um almoço de... cozido à portuguesa, levou-me ao café Longuinhos que em tempos fora um dos ex-libris de Margão e que eu conhcera em 1980. Modificações no estacelecimento? Está muito pior com um ar de capela mas sem a cruz. O tempo não se compadece com reliquias. Voltamos a Panjim, mais precisamente a Miraramar. E, uma vez mais o tânsito na cidade eminentemente comercial é um cataclismo. Sempre a vi assim e não era hora de ponta. Olhem lá: e não era.

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As "perigosas" gralhas de Goa

por Henrique Antunes Ferreira, em 05.02.16

 

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De acordo com os dados da Estatística da Índia, o país tem cerca de um bilião e 200 milhões de habitantes; maior só a China com um bilião e 300 bocas. Coisas pequenas; se comparadas com Portugal com os seus nove milhões ou cerca, o nosso país é apenas uma cagadela de mosca - sem desprimor para estes insectos voadores e muito chatos e muitíssimo sujos. Ocorre-me o exemplo chinês onde foi decretado pelo Partido Comunista que todos os camaradas tinham de matar todas as moscas num raio de 500 metros das respectivas habitações, nas fábricas, escolas e no campo sob pena de serem executdos com um tiro na nuca e a bala paga pela família. Resultado: adeus moscas. Não sei sinceramente se a imposição se mantém..

 

Aqui na Índia e concumitentemente em Goa as moscas continuam em liberdade e são aos biliões de biliões: Mas ponho de parte a eliminação dos insectos - tarefa impossívél, excepuado o Império do Meio - e dedico-me às gralhas que são, não tenho dúvidas, mais do que os indianos, como pude contastar quando vim entrevistar para o DN a Senhora Indira Gandhi e dei uma volta ao aubcontinente. Claro que em Goa acontece o mesmo: os pássaros negros volteiam e grasnam de uma forma impressionante. São tantos que até uma árvore, a banion tree, se chama por cá árvore das gralhas.

 

Na varanda do apartamento que desde há três anos habito, pousam sem fazer cerimónia a toda a hora do dia milhentas gralhas que se possível e até impossível roubam tudo, desde molas da roupa mais coloridas até batatas fritas e outros aperitivos mas sem nunca tocar nos cajus. Creio que se trata de solidariedade com os frutos originais da terra. Se apanham uma jóia, incluindo os pechibeques aí a voracidade é total, basta deixa-la à mostra e num raid velocíssimo, ai Deus que voou tal como a rapinante.

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Estas gatunas há-as por todo Mundo, mas na índia e naturalmente em Goa são demais... À noite antes de voltarem a casa e fazerem a contabilidade do fruto do seu "trabalho" a chilriada é ensurdecedora com os décibeis transmudados para milinecibéis. Surge então um silêncio ensurdecidor. Mas quem pense que é o final do recital, desengane-se: é apenas o intervalo entre o primeiro e o segundo acto da orquestra metropolitana, aliás, gralhiana, de Goa e arredores. Os goeses já estão habituados às aves e estão-se marimbando para elas. Fazem parte da indiossincrasia do estado.

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Um dia, em Lisboa, alguém que sabia do meu amor por Goa e não era um 20 em sapiência perguntou-me: Ó pá a terra não é perigosa? Dizem que há tigres pelas ruas e isso é o diabo; apesar de tudo o que tens escrito vou desistir da viagem que tinha preparado a Goa!... Face à pergunta inusitada e inesperade disse-lhe: se ainda te decidires a ir leva uma espingarde calibre 18; mas talvez possas usar uma basuca, que é mais maneirinha e tem uma enomíssimo efeito. No entanto é conveniente que ainda saibas que nas retretes há crocodilos e tubarões e das torneiras saem cobras de água. O homem, além de burro como sempre fora, estava acagaçado.

 

Mas tu aguentas-e por lá. Como? Desfechei-lhe, com pundonor e muita valentia: acredita: vou sempre desarmado, claro que uso a minha faca de mato que trouxe da tropa, mas para não dar muito nas vistas e não escandalizar os goeses coloco-a cuidadosamente no cinto por baixo da camisa, além disso trago sempre no bloso um corta-unhas para o que der e vier. Sabes que um homem precavido é muito melhor do que dois desinformados. A vida é madrasta, mas de quando em quando tem coisas menos más... Um outro sujeito que assistia à conversa estuporada disse que concordava comigo (pudera era meu amigo e colega desde os bancos a escola primária) acrescentou e ainda faltavam as baleias nas banheiras o que é muito inconveniente e se apareciam as piranhas aí é que era uma porra! Nenhum de nós mencionou as gralhas - mas devíamos tê-lo feito. Elas são muito "perigosas", mas por enquanto não comem criancinhas - goesas...

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Coisas do reino

por Henrique Antunes Ferreira, em 29.01.16

 

 

Curiosas as denominações das prendas que sempre trazemos para amigos e familiares a relembrar tempos passados que ficaram na terminologia de cá: azeite do reino, chouriços do reino, azeitonas do reino e claro bacalhau, mas este não é do reino. Ou seja, é capaz de ser, mas do “reino” actual que é uma república. Dom Duarte Pio de Bragança não é para aqui chamado embora seja considerado pelos monárquicos (poucos) pretendente ao “Reino” de Portugal e daí a referência a par do azeite, dos chouriços e das azeitonas.

 

Além disso há outros pretendentes, mas no caso presente são ao “reino” dos CD, DVD et aliud. Mesmo gente da alta, brâmanes incluídos, médicos, advogados, engenheiros, farmacêuticos e outros pedem-nos para trazer músicas interpretadas pelo Quim Barreiros, pelos Carreiras, pai e filho, pela Romana, Agata, Roberto Leal, Ruth Marlene, todos eles fazem parte daquilo que é conhecido como música pimba.

 

A caminho de Margão, a segunda cidade do estado de Goa, maior e mais importante no que respeita ao comércio, representações de firmas estrangeiras e outras coisas mais do que a capital Pangim, ou Ponjé (em concanim) ou Panaji (termo oficial, que quase só se utiliza em documentos ou letreiros oficiais) ou ainda a Nova Goa. Mas nesta é que está o poder – e o dinheiro do turismo e das minas. Goa é o menor dos estados da Índia, mas o que tem o PIB maior. No carro vou recordando o caminho musical a que tenho assistido desde 1980, a primeira vez que visitei o território.

 

Não me parece importante registar as épocas, mas recordo os cantores que durante estes 35 anos eram “encomendados” pelos respectivos fãs: à cabeça a Amália, e logo a seguir o Carlos Ramos, o Carlos do Carmo, a Hermínia, a Maria de Lourdes Resende, a Simone de Oliveira, a Madalena Iglésias, o Tony de Matos, o Tristão da Silva e etc. Era o fado no seu apogeu. Quando chegaram a Mariza, a Ana Moura, a Aldina Duarte, o Zambujo e o Camané, os goeses já não lhes ligaram grande importância.Adeus fado que te foste à vida... Tinham-se mudado para o pimba… Porém ainda há um concurso de fados. O mais curioso é que os intérpretes não falam… português!

 

Volto, entretanto, aos alimentos que vinham do reino e mantiveram essa denominação. É bem o exemplo da herança lusitana, a par com outras tais como as denominações de pratos da gastronomia goesa que tem pouco a ver com a indiana. O sarapatel é o descendente do sarrabulho, o vindalho é a vinha d’alho, a fijoada é feijoada, os croquetes picantes são os nossos croquetes com rolão (pão ralado) e tudo. São muitas as receitas dos portugas a que se juntaram os temperos da região.

 

No entanto, há um facto que me entristece. No Magson’s a maior cadeia alimentar da Índia e naturalmente de Goa. Nas suas prateiras pode encontrar-se azeite espanhol, italiano, grego, marroquino, tunisino, líbio e até argelino. Português, nicles. Queijos importados de todas as origens e paladares, da Serra nem vê-lo. Com as cervejas passa-se o mesmo. Só ano passado consegui descortinar garrafas minis de Super Bock. Aguardentes velhas ou novas nem com um telescópio…

 

Quem chega pela primeira vez a esta terra abre a boca de espanto ao dar com a farmácia João Silva ou a loja Lembrancas (faltam por cá os cês cedilhados, mas o til ainda se consegue arranjar), há o café Central e outro Real. No Jardim Garcia de Orta pode-se encontrar o clube Vasco da Gama. Muitos mais exemplos poderia o escriba alinhar, mas, para já, não pretendo fazer a lista telefónica que, por acaso – ou não – está bem recheada de Menezes, Mascarenhas, Gracias, Barbosas e, como não podia deixar de ser, Silvas e Xavieres. Isto porque o santo continua a ser o apóstolo das Índias e do restante Oriente…

 

Por ignorância congénita o autor confessa que - neste momento - não sabe como ilustrar este textículo. Quando souber - se algum dia souber... - voltará aqui para inserir as gravuras. Desculpem e muito obrigado

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