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Este blogue é feito por Amigos para Amigos, porque a Amizade é uma das melhores coisas da vida. Quem vier por bem será bem acolhido. Sejam bem vindos!

Porrada à chuva

por Henrique Antunes Ferreira, em 14.01.16

Chuva-forte_33.jpg

 

Chovia se Deus a mandava. Por dentro dos pingos grossos e poluídos havia uma multidão de chapéus-de-chuva fugindo dos automóveis que chutavam a água contra os peões, resultando goleadas para os condutores. Nas sarjetas entupidas a água tentava furar e escorrer por elas. Mas não furava, não escorria transformava-se num lodaçal que se prendia aos sapatos dos transeuntes, mesmo aos de saltos altos que algumas madonas  persistiam em usar agora instalados em botas.

 

É um dilúvio dizia o Sarzedas para o Pestana (que não é o dos hotéis nem das pousadas, esse só acamarada com o Cristiano Ronaldo que sempre sonhou ter pelo menos um hotel…) uma carga de água, o Noé nem teria tido tempo para construir a arca, muito menos para meter nela todos os casais de todos os animais; mas o que é verdade, safaram-se todos, para que depois do dilúvio universal (?) o comandante e timoneiro apanhasse uma cardina de caixão-à-cova…

 

arca 2.jpg

 

Pestana não respondeu, mas ficou a pensar sobre os três filhos que o encontraram nu por força do álcool, Sem, Cam e Jafet, que malandros, denunciarem o próprio pai que, aliás, fora o plantador da vinha que originara a bebedeira, não estás a ligar-me pevide, andas a flutuar não sei por onde, afinal descobri que não és meu amigo, mas amigo da onça, ó Sarzedas, desculpa pá, estava a pensar na cagada da austeridade que os outros encomendaram à troika e a perguntar-me porque motivo quando o meu salário chega ao fim, ainda sobram dias do mês.

 

Pronto, não se fala mais nisso, amigos como antes quartel-general em Abrantes, a porra é que não para de chover, o São Pedro, tal como os nuestros vecinos, abriu as comportas e a água veio aos tombos de cima para baixo. Os espanhóis dizem subir arriba e bajar abajo, são umas cavalgaduras, olha lá Sarzedas, as malditas bátegas não param, é uma borrasca do catano, e nós aqui sem chapéus-de-chuva, molhados que nem pintos fugindo do conforto das penas das galinhas-mães.

 

corno.jpg

 

Deixa-me cá, não te amofines, não gosto desses empecilhos; dos pintos?, não, chiça, dos chapéus-de-chuva e até dos de sol, vem o vento e eles enfunam-se como vela de navio e se não nos precatamos lá vamos pelos ares, agarrados ao cabo deles, que é um cabo dos trabalhos. Ou das Tormentas, afinfa o Pestana. Mas são necessários nestes momentos e, ‘da-se, já te disse que os abomino. Desde quando? Desde que o meu vizinho de cima me apanhou com a casta e santíssima esposa na cama do casal. O gajo que é forte e feio, agarrou no que tinha à mão, um chapéu-de-chuva, e deu-me uma carga de porrada tal que o INEM me levou às urgências, com os dois braços partidos e uma perna ao peito.

 

E a vizinha? Sei lá, quando veio a ambulância eu já não via nada, porque também tinha os olhos mais empolados que abóbora; menina? perguntou o Pestana, ó pá não me lixes, vou meter-me à água e ala que se vai fazendo tarde. Claro que o Sarzedas não gosta de chapéus-de-chuva, nem de sol muito menos de sombrinhas, nada disso. Se calhar e face ao ocorrido, ele, Pestana (sem hotéis nem pousadas) também não gostaria. E resolveu ir para casa – a nadar. Até parecia o Marcelo quando concorreu à presidência da Câmara de Lisboa. E sem chapéu-de-chuva. 

 

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9 comentários

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De Manuel Penteado a 14.01.2016 às 22:41

Caro Henrique.
Sabes, com ninguém, contar uma estória e dar um colorido muito especial. Adoro os teus personagens fico, sempre, com a noção de os conhecer, pois fazem parte do dia a dia.
Este é dos melhores com que nos tens brindado.
Aproveita essas, certinhas férias, certinhas uma porra, quem me dera.
Quando voltares, provavelmente, o meu Blogue foi dar uma volta, mas não deixarei de te visitar sempre.

Um abraço e boa viagem.
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De Luisa a 14.01.2016 às 22:52

Diz o povo que quem anda à chuva molha-se e o Pestana comprovou-o :)
Boa estadia lá pelas Índias.
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De Pedro Coimbra a 15.01.2016 às 02:25

Hoje preciso de guarda-chuva aqui em Macau.
Mas não pelos mesmos motivos que esse malandreco, está bem de ver.
Aquele abraço, bfds, boa estadia em Goa.
Beijinhos para a Raquel.
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De Miriam a 15.01.2016 às 11:50

Isto é o que se chama uma carga de água!
Há quem não goste de guarda chuvas mas só porque tem sempre têm um à mão ! Tipo Mary Poppins!
Excelente texto!
Boa viagem!
Nós por cá ficamos ,a meter água, até ao dia 24 de Janeiro!
Depois se verá!
Abreijos
Miriam
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De Cidália Ferreira a 15.01.2016 às 13:07

Gosto sempre de o ler. Obrigada.

Beijo. Bom fim de semana.

http://coisasdeumavida172.blogspot.pt/
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De Janita a 15.01.2016 às 15:20

...E com um sorriso nos lábios ( ou serão bêços?), pela carga d'água e pela carraspana do Pestana, com que nos brindas nesta breve despedida, ou melhor, este até logo, te deixo aqui um forte abraço e um beijinho para a Raquel.

Renovo os votos já antes feitos. Boa biagem e excelente estadia, lá no lugar do costume!!
Que o perfume destas flores te façam lembrar de mim...



Janita

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De Graça Sampaio a 16.01.2016 às 22:25

A isto é que se chama «meter água» à fartazana!!

Boa(s) viagem/ns até e lá por Goa. Inté!

Beijinhos para o simpático casal Raquel e Henriquamigos
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De Agostinho a 17.01.2016 às 14:51

Com esta é que me lixaste! Puseste-te a milhas pela rota do caril, mai'la tua estimada Raquel, e a gente aqui de molho por conta dos manda-chuva. É tanta, tanta a água, caté o pessoal já anda a pensar no regresso às tamancas dos hermínios. Não é o mesmo luxo da Arca, mas como somos pobrezinhos... temos de nos contentar. Se a gente com tino e sem tino pudesse meter os saltos nas botas... mas qual quê? Andamos práqui feitos pintos, mesmo abominando as sombrinhas, as sobrinhas, perdão as sóbrinhas, como o Pestana.
Nem o INEM nos salva, nem os tapeiros, nem os bialeiros. Só água, só chuva! Pelo que consta no borda d'água, 2016 vai ser um ano de furacões: o Alex foi apenas um aviso que os americanos nos mandaram. A começar no próximo domingo com o Marcelo o tal das fitas; segundo me informaram tem contrato garantido em belemwood: num dia vai à farmácia comprar omeprazol e no seguinte mete-se na poncha acolitado pelo vice-rei da Madeira.
E tu, zás, pisgaste pra sítios mais sequinhos. Olha lá tiraram-te o cartão de eleitor?

Um grande abraço e votos de boas férias para o par maravilha: Leão + Raquel.
PS - quanto à prosa não digo nada (ou já disse). Venham mais.
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De Graça Pires a 18.01.2016 às 10:41

Confesso que foi delicioso ler a tua história. Este sentido de humor que pões naquilo que escreves é talentoso, meu amigo. Adorei.
Um beijo.

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