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Mensagem de Boas Vindas

Este blogue é feito por Amigos para Amigos, porque a Amizade é uma das melhores coisas da vida. Quem vier por bem será bem acolhido. Sejam bem vindos!

...

por Henrique Antunes Ferreira, em 02.01.16

 

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Ponto final nos réveillons, nas farras no Casino, no smoking, nas noites de loucura, nos confettis e no champagne Veuve Clicquout. Este ano, Julião Costa, Costinha para os amigos e alguns conhecidos, decidira que passaria o ano em casa, com a amantíssima Carlota e a prole composta de dois machos (salvo seja) o Tonecas e o Quim Mané e de uma fêmea a Luisinha. Compravam-se umas carnes frias, faziam-se umas mini sandochas com pão de forma, roubavam-se ao aparador umas nozes sem casca, umas amêndoas idem e avelãs aspas, as passas (doze para cada um dos Costas) e uma garrafa de espumoso, que era mais barato, mas também tinha bolhinhas. Sem ironia era o que se chamava uma decisão irrevogável.

  

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Estava-se nisto, tocou o smartfone aquela música estúpida dos Chutos, um dia iria dar-lhe uns pontapés e substitui-la pela "Chuva" da Mariza. Era o compadre Serafim de Castro Verde, atão compadri como vai essa moenga? E da passagem do ano? Festa? Onde? No Estoril? Contamos ir a Lisboa, mas não sabemos onde abrir as garrafas de champagne, do bom, Moët & Chandon, mêa-dúzia,  que me foram oferecidas pelo engenheiro Martinot da Somincor. Nós vamos ficar em casa e…

 

Pois então nós tambeim, na sua, à home duma cana, vai a famelga toda e… até podem dormir cá, a casa não é um palácio mas alguma coisa se arranjará, tá fêto, aparecemos por aí pelas seis da tarde para uma cavaquêra, pois claro Serafim vamos cortar na casaca de uns gajos que felizmente já se foram e bem o merecem, ouve lá ó Julião, tambeim levamos dois quilos de camarão da Tailândia, comprado no Pingo Doce, palavra que é porrêro. Óptimo, melhor é de certeza do que o Soares dos Santos que pôs a massa na Holanda e é o portuga mais rico.

 

Dito e feito. Chegou o Serafim e o bando, que aportava ainda uns patês, um bolo-rei e umas azevias com grão feitas

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pelas mãozinhas da dona Gilberta, ela é a melhor cozinheira e doceira de Castro Verde e Entradas. Faz uma cabeça de porco no forno que é de comeri e lamberi os bêços. Chegou a meia-noite saltou a rolha da garrafa de champagne, comeram-se as doze passas, cada uma, cada desejo, e os putos foram para as janelas, bater tampas de tachos e panelas como é da tradição e apitar até ao fim do Mundo. O Tonecas tinha uma matraca… e nem queiram saber.

 

Por baixo do Julião morava um senhor viúvo mais azedo do que limão…fel e vinagre. Face ao cagaçal telefonou para a esquadra, senhor chefe isto não são horas de tal chavascal. Há uma postura camarária… Mande aqui um polícia para multar todos os que me dão cabo dos ouvidos e da pachorra. Veio o agente Manuel Palácios (assim dizia a placa) e logo ao entrar deparou com o Serafim, olha quem cá está!; eram vizinhos e nados em Castro Verde. O sacana do andar de baixo diz que é muito barulho e depois da mêa-noute é poribido por uma postura da Câmara. …E o chefe mandou-me vir por cá e tomar conta da ocorrência

 

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Ó Maneli bebe um copito, estás de serviço, mas ninguém vai saber. Nã senhori, terminei à mêa noite, estou aqui a substituir um camada que foi à província. Atão, compadri afinfa-lhe. Um dia nã são dias.  Ganda Serafim, este beim merece, nã é daqueles que se aventam pró lixo. É um nectar de sacrista, para se desdobrari em vinho de missa... Pôçaras, vai de um golo. Escorrega pela graganta abaixo que nem mantêga... Oito “copitos” de champagne depois, isto agora é outra coisa, o Palácios foi também para a janela, depois de pedir umas tampas duma panela e dum tacho de alumínio e juntou-se ao grupo da percussão. E o pulha do vizinho de baixo que se fod, oops, lixasse…

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32 comentários

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De Manuel Penteado a 02.01.2016 às 20:00

Se fizessem como eu, uma coisa simples, uma nota, 12 passas e um Asti Gancia, nada acontecia.
Nada de panelas nem nada relacionado com o nome, nem Palácios. Foi um sossego!
Mas a tua estória tem ritmo, suspense e uma grande moral, nunca chames a polícia, pode sair um Palácios que gostará de copos e se está cagando para os queixinhas.
Muito bom. Dei umas gargalhadas imaginando o quadro.
Eu sou do Alentejo, lá debaixo mas "deixi por lá a manera de falar."
Um grande abraço
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De Henrique Antunes Ferreira a 02.01.2016 às 23:30

Manelamigo

Poçâras isto hoje está cheio de Alentejanos, até parece uma anedota deles.

A tua solução parece-me excelente e económica. Mas com Palácios ou sem Palácios, com o sacana do vizinho de baixo ou sem o gajo, a passagem de ano é sempre uma esperança, ainda que desmaiada...

Abç e bom 2016

Leãozão (e hoje foi trigo limpo, farinha Amparo: dois secos do Slimani ao Potepegui ou lá oké)

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